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domingo, 7 de março de 2010

MANUEL JORGE CRUZ - NOTA BREVE


Nasce em Tavarede [Figueira da Foz] a 9 de Outubro de 1880. Era filho de Jorge Silva e Maria da Cruz [ver AQUI]. Iniciou-se nas artes gráficas, muito novo, como tipógrafo na "Imprensa Lusitana", tendo ascendido a "cargos de responsabilidade".

Em 1 de Janeiro de 1904 (23 anos) toma como trespasse a Tipografia Popular [na Rua do Estendal] e é director do importante jornal republicano figueirense "A Voz da Justiça" [o periódico Voz da Justiça foi criado por Gustaf Adolf Bergstrom – seu proprietário, em 11 de Maio de 1902 -, e inicia a sua publicação como folha semanal sob edição de Gentil da Silva Ribeiro. Tinha a sua primitiva redacção, administração e tipografia no Passeio Infante D. Henrique. A partir de 17 de Maio de 1903 a tipografia passa a ser propriedade da Associação de Instrução e o jornal passa a ser administrado por uma comissão de indivíduos, ligados à Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz - loja maçónica instalada a 22 de Setembro de 1900, do RF e sob os auspícios do G.O.L.U. - e com o intuito de "propagar as nossas doutrinas" – cf. A Loja Fernandes Tomás, nº 212 da Figueira da Foz, Divisão de Museu, Biblioteca e Arquivos, CMFF, 2001]

Manuel Jorge da Cruz foi iniciado na maçonaria na Loja Fernandes Tomás a 3 de Novembro de 1904, com o nome simbólico de "Gutenberg", tendo aí exercido vários cargos, entre os quais secretário da Loja (entre 1907-1910 e 1915-1918), atingindo o Grau 20.º em 1925.

Deste modo, não espanta que em 1907, tenha assumido interinamente (pela nova Lei de Imprensa) a propriedade e direcção da Voz da Justiça. Manuel Jorge da Cruz manteve-se na direcção do periódico durante largos anos, sendo este um jornal muito activo e respeitado na luta contra a ditadura (esteve por diversas vezes suspenso) e, por isso mesmo, o periódico foi suspenso a 10 de Julho de 1937 pela Ditadura. Por seu lado, o ministro do Interior Pais de Sousa encerra a Tipografia Popular a 6 de Julho de 1938 e "rouba" todas as máquinas [que nunca regressaram às mãos dos seus legítimos proprietários, mesmo depois de Abril de 1974] e demais recheio, "ficando só as paredes". Foram presos pela PIDE todos os seus trabalhadores, como o então director José da Silva Ribeiro [irmão "João das Regras"] e o gerente-técnico Manuel Jorge Cruz [ibid.]. Manuel Jorge Cruz não conseguiu resistir a tamanha dor e sofrimento, ao ver ruir toda uma vida inteira de trabalho, de ideal democrático e "solidariedade social".

Manuel Jorge Cruz exerceu uma intensa actividade política, social e administrativa no concelho. Foi eleito (1911) para o cargo de 1º secretário da Assembleia Geral do Centro Republicano Cândido dos Reis. Por diversas vezes foi Procurador à Junta Geral do Distrito [até 1926], tendo sido Presidente da Assembleia Geral da Associação Comercial e Industrial da Figueira (em 1924 e 1925). Integrou, ainda, a Associação de Instrução Popular, a Associação Artística Figueirense, a Sociedade de Instrução Tavaredense [foi o seu "primeiro presidente eleito em Assembleia Geral, em 1905", tendo escrito o "primeiro Regulamento Interno da colectividade" – ler mais AQUI], pertenceu à Santa Casa da Misericórdia e à Cooperativa Manuel Fernandes Tomás.

Morre no dia 2 de Novembro de 1941. Foi sepultado em Tavarede, e o seu funeral constituiu uma "invulgar manifestação de sentimento" da gente da Figueira da Foz.

Foto e algumas notas retiradas, com a devida vénia, do blog Tavarede Terra de meus Avós. Publicado, também, no Almanaque Republicano.

J.M.M.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

S.I.T. - ESTANDARTE



"A Sociedade de Instrução a[SIT] adoptou, como seu, o estandarte que pertencera ao Grupo de Instrução e que havia sido inaugurado no ano de 1900. E, em 1927, o sócio benemérito Joaquim Fernandes Estrada, fez a oferta de um novo estandarte, que 'é, na verdade, rico e artístico. O desenho é de António Piedade, e foi bordado a ouro e matiz pela distinta mestra de bordados da Escola Industrial e Comercial, srª D. Maria do Céu Rio, cujo trabalho é primoroso e justamente admirado'.

Aquele benemérito, em sessão solene expressamente realizada para o efeito, fez a entrega do novo estandarte e 'afirma a sua simpatia pela Sociedade de Instrução Tavaredense, prometendo continuar a auxiliar a sua obra'.

'O acto é revestido de grande imponência. A gentil menina Maria Gonçalves (madrinha do estandarte) prende a bandeira na haste; a “Figueirense” executa o hino da Sociedade, e toda a assistência se levanta, soando palmas por largo tempo. Passados alguns momentos, o estandarte ergue-se, altivo, na haste encimada por uma artística estrela de metal branco, e irrompem novas salvas de palmas e muitos vivas
'.

ler TODO O POST AQUI.

J.M.M.

sábado, 28 de novembro de 2009

GENTIL DA SILVA RIBEIRO (1873-1918)


"Natural de Tavarede, onde nasceu no dia 13 de Dezembro de 1873, foi casado com Emília Coelho de Oliveira, e morreu em 25 de Julho de 1918, com a idade de 44 anos.

Sapateiro de profissão, foi figura saliente no meio operário local e figueirense, destacando-se como acérrimo defensor dos ideais republicanos. [Era pai de José da Silva Ribeiro]

Teve uma importantíssima participação na vida social da sua terra. Ainda muito novo, colaborou musicalmente na Filarmónica Figueirense e, em 22 de Março de 1893, foi um dos fundadores da Estudantina Tavaredense, onde, além de organizador e regente da sua tuna, foi um dos principais amadores teatrais e, ainda, devotado dirigente.

Como esta associação acabou a sua actividade no ano de 1903, passou, tempos depois, a prestar a sua colaboração à Sociedade de Instrução, fundada em Janeiro de 1904, na qual sucedeu a João Nunes da Silva Proa na direcção da orquestra, por volta dos anos 1907/1908.

Compositor musical, foi ele o autor do hino desta última colectividade e escreveu a partitura para as operetas Na Terra do Limonete e Dona Várzea, levadas à cena em 1912 e 1913, respectivamente.

[Foi iniciado na maçonaria, na Loja Fernandes Tomás a 29 de Março de 1902, no grau de aprendiz, com o nome simbólico "Crougé". Exerceu o "cargo de Servente" de 1901 a 1904 (cf. A Loja Fernandes Tomás, nº212 da Figueira da Foz, DMBA, 2001)]

Com a implantação do regime republicano em Outubro de 1910, colaborou na fundação da secção local do Partido Republicano Português e foi eleito, por diversas vezes, para membro da Junta de Paróquia, exercendo igualmente o cargo de regedor (...)

'Gentil Ribeiro foi durante anos editor da 'Voz da Justiça' e, se não estamos em erro, do 'Povo da Figueira', escrevendo neste jornal como correspondente de Tavarede.
Correligionário de absoluta confiança, dedicado, pronto para sacrifícios, o desinteresse com que servia a República levou esta a confiar-lhe, até à revolução de Dezembro, o cargo de regedor da freguesia. Mas esta consideração não valia nada em relação ao que merecia a sua isenção de sempre e que, nesta hora em que o seu corpo arrefece e está prestes a entrar no túmulo, nos queremos afirmar num preito de justiça pela sua inolvidável memória'.

A Sociedade de Instrução, que lhe ficou a dever inestimável colaboração, prestou homenagem à sua memória em Janeiro de 1924, descerrando o seu retrato, que se encontra exposto no salão nobre. Já o havia nomeado, ainda em vida, seu sócio honorário. Também a Junta de Freguesia e a Câmara Municipal da Figueira atribuíram o seu nome a uma rua local, perto dos Quatro Caminhos do Senhor da Areeira ..."

via Tavarede Terra de Meus Avós [com aditamentos, nossos]

J.M.M.