quinta-feira, 8 de outubro de 2009

BUARCOS



Buarcos em 1914 (Postal) [clicar na foto]

AUGUSTO GOLTZ DE CARVALHO


"Augusto Goltz de Carvalho nasceu em Buarcos, no dia 28 de Março de 1858 [cf. José de Sousa Cardoso, Biografias Figueirenses, Figueira da Foz, 1947, p. 29]. Foi professor primário durante 30 anos e personagem importante nos movimentos associativos de Buarcos [cf. A Maçonaria na Figueira da Foz (1900-1925), Ed. Biblioteca e Arquivos, 2001, p. 8]. Cria a (sua) Escola Particular Nocturna, colabora na fundação da Cooperativa Buarcoense (1904), na União Marítima de Buarcos (1912), nos Bombeiros Voluntários de Buarcos, tendo sido "activo da Misericórdia de Buarcos" e, ainda, presidente da Junta da Paróquia de Buarcos [idem, ibidem].

Homem de "grande cultura", escreveu peças de teatro que foram levadas à cena no mítico Grupo Caras Direitas, tendo aí realizado, também, notáveis conferências. Grande entusiasta pela investigação e exploração arqueológica na região [ibidem], colaborou intensamente com o Dr. Santos Rocha [n. F. Foz, 1853-1910] na organização do Museu Municipal e [ler, aqui] na Sociedade Arqueológica da Figueira [1898, que a partir de 1903 se denomina, Sociedade Arqueológica Santos Rocha], tendo feito parte da sua direcção [nota: consultar o Boletim da Sociedade Archeologica Santos Rocha (nº1, 1904)]. Também se distinguiu no "campo da biologia e zoologia", tendo sido um conhecido "recolector e catalogador de espécies vegetais e animais".

Iniciado [desconhece-se o seu nome simbólico] na maçonaria, presumidamente, num Triângulo de Buarcos. De facto, em Buarcos, a partir de 1899, existiu o Triângulo nº11 do REAA, que abateu colunas em 1908; e a partir dessa data estiveram activos 2 Triângulos, tendo um deles [Triângulo, nº118 de Buarcos] originado a Loja Luz e Harmonia, fundada em 1911, da qual Goltz de Carvalho foi seu Venerável [cf. A Maçonaria na Figueira da Foz, ibidem, p.9].

Colaborou em diversos jornais e outras publicações, como o Correio da Figueira, Correspondência da Figueira, Gazeta da Figueira, Anais de Ciências Naturais, Portugália (porto) e no Boletim da Sociedade Arqueológica da Figueira"

Morre a 29 de Junho de 1913.

via Almanaque Republicano.

J.M.M.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

GRUPO CARAS DIREITAS


“No dia 1 de Outubro de 1907, na casa de D. Leonor de Paula, a convite de António Augusto da Gama e Carlos da Cruz Oliveira reuniu-se um grupo de 15 amigos todos naturais e moradores em Buarcos, que fundaram então o ‘Grupo dos 15 Caras Direitas’, com a obrigação do pagamento de uma quota mensal de 100 réis, tendo a primeira direcção ficado assim constituída:

Presidente: Joaquim Marçal Carrega; Secretário: Carlos Cruz Oliveira; Tesoureiro: António Augusto da Gama. Os restantes 12 fundadores foram: Joaquim Rodrigues da Silva, António Caetano Ferreira, José Feteira, António Marques Murta, José Amorim Guerra, Augusto Alves Abreu, José Baptista Soares, António Gomes Pinto, Augusto Maria Henriques, José Cardoso de Oliveira, Alberto Cardoso de Oliveira e José Romão.

O Grupo tinha por finalidades praticar a "Instrução, Beneficência e Recreio", tendo sido aprazado comemorar, como data da sua fundação, o dia 1º de Dezembro por ser o aniversário da Independência de Portugal. A sua primeira sede foi numa pequena casa na rua Governador Soares Nogueira, cedida graciosamente pelo seu proprietário e director do Grupo, António Gama, seguindo-se uma outra na mesma rua, e depois no Teatro Duque, pelo aluguer do qual, pagavam 60$000 réis anuais.

Em 31-III-1913 é feita a fusão com o Sport Grupo Buarcosense, que tinha uma filarmónica, e como a sede entretanto se tornasse acanhada, três anos depois mudam-se para o Teatro Trindade, tendo passado a designar-se de Grupo Caras Direitas. Após muitos sacrifícios constroem a sua sede própria que é inaugurada em 6-V-1928, a qual dispõe de uma excelente sala de espectáculos com uma capacidade de 510 lugares onde se têm realizado sessões cinematográficas e teatrais, não só pela sua secção cénica como por consagradas companhias nacionais.

O seu palco que reúne as melhores condições técnicas, já foi pisado por artistas como Adelina e AuraAbranches, Alves da Cunha, lida e Dinah Stichini, Amélia Rey Colaço, Robles Monteiro, Berta de Bívar, Álvaro Benamor, Samuel Dinis, Camilo de Oliveira, José Viana, Mário Santos, Raul Solnado e outros, dando-se até a curiosidade de o popular actor Camilo de Oliveira ter nascido num dos seus camarins.

Ao longo da sua existência a secção cénica do Caras já representou centenas de peças de teatro desde dramas, comédias, farsas, operetas e revistas. Este género teatral tem predominado no Grupo, destacando-se entre as de maior sucesso: "Caldeirada à Pescador", "Nortada Rija", "Onda Marítima", "É Tudo Terra", "Em Águas de Bacalhau", "Um Mar t'Alimpe", "Sardinha na Brasa", "Gente do Mar" e "Cantarinha Vai à Fonte", que proporcionaram largas dezenas de representações, não só em Buarcos como em diversas terras dá país.

De notar que todas as revistas atrás referidas foram musicadas por José Traqueia Bracourt, sendo da autoria de Vasco da Gama e Jorge Bracourt. Se os êxitos alcançados pela secção cénica se devem aos méritos dos seus amadores, uma parte vai para os ensaiadores, que foram os seguintes: António Gomes Pinto, Manuel Monteiro, José Gaspar, Constantino Nunes da Silva, António Neves, José Goltz de Carvalho, Mário Santos, António Sousa, Manuel Pereira da Silva, João Alves Fernandes, Severo Biscaia, Eduardo Matos, Jorge Bracourt, José Fernandes dos Santos, Mário Bertô e Dr. António Gouveia de Carvalho.

Em Maio de 1931 e durante alguns anos funcionaram no Grupo aulas de instrução primária, desenho e ginástica. Nos dias 12 e 13 de Junho de 1938 realizou-se um arraial de Santo António, estreando-se um grupo de jazz privativo do Grupo e o "Rancho das Cantarinhas" (...). Da parte musical do rancho foi incumbido Alberto Machado e a coreográfica ficou a cargo de Joaquim Romão.

Em 1-XII-1982 foi inaugurado o Pavilhão Gimnodesportivo a cuja cerimónia presidiu o Ministro das Obras Públicas de então, Eng. Viana Baptista.(...) Em Dezembro de 2003 um incêndio destruiu o palco (entretanto recuperado)“.

in Monografia de Buarcos de Fausto Caniceiro, 2004 - via Album Figueirense.

J.M.M.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

GRUPO DE REPUBLICANOS FIGUEIRENSES



Foto de um grupo de republicanos figueirenses (não identificados), com o jornal republicano "O Mundo", de França Borges [clicar na foto]

J.M.M.

VIVA A REPÚBLICA


"Comemora-se amanhã [HOJE] mais um aniversário da Revolução de 5 de Outubro de 1910, que implantou o regime republicano em Portugal.
Pela sua importância e consequências, deve esse facto marcante da nossa História Pátria ser sempre recordado, não por mero e estéril saudosismo, porque devemos ter sempre uma visão objectiva e dinâmica da história.
Um povo sem memória torna-se amorfo, conformado com o quotidiano, incapaz de retirar do passado as lições que podem ajudar a lutar por um presente e um futuro melhores.

A Revolução de 5 de Outubro de 1910 trouxe aos portugueses a conquista da cidadania e a consagração dos direitos fundamentais tão postergados nos últimos tempos de uma monarquia caduca e desprestigiada. Com a Revolução de 1910, rompeu-se com uma estrutura anquilosada e injusta da sociedade portuguesa.
É, na verdade, em República que mais se pode acentuar uma participação directa, mais consciente e activa do Povo na vida política do País. É em República que não pode haver castas sociais e ridículos privilégios. É em República que mais se pode obter a igualdade e desenvolver a solidariedade entre todos os cidadãos. É em República que melhor pode haver uma autêntica vivência democrática.

Basta atentar na muita, oportuna e avançada legislação dos governos da 1ª República para concluirmos que eram muito nobres, generosos os ideais de então. E se nem todos foram concretizados certo é que eles existiam como programa e muitos ficaram para sempre radicados na alma do Povo Português. E foi com essa alma que, mais tarde, se lutou contra o regime totalitário do mal chamado Estado Novo, e foi também com essa alma que se fez a libertadora Revolução de Abril, que nos trouxe de novo a Liberdade a Democracia em que vivemos.

Digam alguns o que disserem, o certo é que a República veio para ficar e será sustentada, sempre e a todo o transe, pela esmagadora maioria dos portugueses.
Nunca será de mais lembrar a coragem, o patriotismo e a fidelidade ao ideal democrático dos valorosos homens do 5 de Outubro de 1910, bem como os seus precursores que a prepararam.

Foram muitos e relevantes os seus exemplos de dignidade, honradez e verticalidade, foi firme o seu desejo de fazer de Portugal um país efectivamente livre, mais próspero, mais solidário e mais respeitado na Comunidade Internacional.
É, pois, nosso imperioso dever recordar sempre os homens da 1ªRepública, exaltando o seu ideal de puro republicanismo.
"

Luis Melo Biscaia, in Lugar para Todos [ler AQUI - sublinhados nossos]

J.M.M.

COMEMORAÇÕES DO CENTENÁRIO DA REPÚBLICA NO CONCELHO DA FIGUEIRA DA FOZ – ÉDITO


A Figueira da Foz é uma cidade, reconhecidamente, com fortes tradições liberais e republicanas. Esse espírito puro (e idealista) acompanhou os "sucessos e insucessos da causa liberal", deixando vestígios esperançosos e vibrantes; travou curiosas e abnegadas lutas políticas e sociais durante o rotativismo, animando a vida local; manifestou-se patrioticamente contra o "insultante" ultimatum inglês, em vibrante clamor; aclamou a implantação da República e, justamente, (re)organizou-se luminosamente sob o manto dos "generosos" ideais republicanos; protestou "energicamente", em defesa da liberdade, contra as consequências resultantes do golpe militar de 28 de Maio de 1926; envolveu-se na tentativa revolucionária de Fevereiro de 1927 de oposição à ditadura; resistiu e conspirou durante o Salazarismo, pela pátria afrontada.

Uma plêiade notável de homens e mulheres foram os obreiros dessas fortes convicções liberais, republicanas e democráticas. Pessoas e colectividades, a imprensa local, grupos e cidadãos, com entusiasmo e desassombro, trabalharam em prol do bem comum e da emancipação do povo figueirense. O espírito e alma republicana, sob o lema liberdade, igualdade e fraternidade, fazem parte, exaltantemente, do álbum das memórias figueirenses. Por isso, esse ideário republicano tem de ser evocado. Deve ser reivindicado. Tem de ser honrado.

No ciclo das comemorações do Centenário da República, que agora decorre, é tempo de reclamar a ideia da República e exaltar a sua herança. O legado republicano é uma missão que exige uma recordação condigna da sua própria grandeza. Por isso, correspondendo ao apelo da Comissão Nacional das Comemorações do Centenário da República, um grupo de cidadãos da Figueira da Foz, republicanos e democratas, em harmonia com os objectivos gerais das Comemorações, visa constituir uma Comissão Cívica da Figueira da Foz para as Comemorações do Centenário da República.

Essa Comissão Cívica terá como objectivo dinamizar - com as instituições, colectividades, associações e cidadãos que adiram a este projecto - um conjunto de iniciativas culturais diversificadas a nível concelhio, em ordem a contribuir para homenagear pessoas e instituições, contribuir para uma maior mobilização e participação da sociedade civil nas comemorações do Centenário, dando assim uma maior visibilidade dos objectivos pretendidos pela Comissão Nacional, especialmente junto das gerações mais jovens.

Este blog ou espaço conversável será, doravante, a pedra inicial que desvela essa pretensão e pretende animar este reencontro antiquíssimo com a nossa história local. Assim, convidamo-lo a aderir a essa futura Comissão Cívica, a divulgar este nosso apelo e a participar por uma República melhor.

Saúde e Fraternidade

J.M.M.