quinta-feira, 5 de novembro de 2009

EX-LIBRIS JOAQUIM BARROS SOUSA



Ex-Libris de Joaquim Manuel Barros de Sousa (n. 22-10-1936).

via Ephemera.

J.M.M.

A PRAIA


“Em 1903 [15 de Agosto – refª Jornais e Revistas do Concelho da Figueira da Foz (1863-1985), por Joaquim Sousa & António Reis Caldeira, 1986] foi publicado um número único [de “homenagem à colónia balnear espanhola", ibidem], intitulado "A Praia", dirigido por Manuel Luís de Almeida, então estudante da Escola Médica do Porto e residente na Figueira da Foz. [colaboração de : Teixeira de Carvalho, Carlos Borges, J. Mourato Grave, António Gomes da Silva, Ramon Cilla, Francisco Villegas, ..., idem, ibidem].

Mas aquela publicação, a que a imagem se refere, e de que possuo [Aníbal José de Matos] a colecção completa, iniciou a sua publicação em 20 de Agosto de 1923, sendo seus redactores António Amargo e Adriano Santos (saliente-se a gralha que consta do cabeçalho: Adriano Satos em vez de Adriano Santos, mais conhecido por Pinana. Saíram apenas dois números. Na imagem, o n.º 6, penúltimo desta série, que se seguiu à 1.ª, iniciada em 21 de Agosto de 1921. A numeração da 2.ª seguiu a continuidade, já que apenas se haviam publicado cinco na série anterior [colaboradores: além dos citados, participaram Carlos Pinto, J. Leite, Cardoso Marta, Raimundo Esteves e Arnaldo Forte - refª Jornais e Revistas do Concelho da Figueira da Foz, ibidem].

Note-se que, em 1917 [nº1, 23 de Julho de 1917 - idem, ibidem], também vira a luz uma publicação com o mesmo título, sendo seu administrador Fausto Eloy. Era propriedade da Casa Havaneza. O seu último número foi publicado a 30 de Setembro de 1917 [ou 18 de Outubro - refª Jornais e Revistas do Concelho da Figueira da Foz, ibidem. O Editor era J. H. Santos. Colaboradores: Raimundo Esteves, Ernesto Tomé, António Amargo, André Brun, Júlio Dantas, Albino Forjaz de Sampaio, Arnaldo Forte, Mário Azenha, Delfim Guimarães, Cardoso Marta - ibidem].

Dizia Cardoso Marta que esta revista era "uma das melhores apresentadas a que a época balnear da Figueira tem dado origem."

Texto via Presente [blog de Aníbal José de Matos], com acrescentos & sublinhados nossos.

J.M.M.

sábado, 31 de outubro de 2009

POUSADA DOS INTRANSIGENTES


No prosseguimento da Greve Académica de 1907 em Coimbra, a tentativa de "romper os laços de solidariedade que se estabeleceram, e se mantinham, entre os estudantes de Coimbra e entre estes e os de todas as escolas superiores e técnicas do país" [in História da Greve Académica de 1907, de Alberto Xavier, 1962] foi diversas vezes tentada, sem total êxito. A nomeação do novo reitor da Universidade de Coimbra, D. João de Alarcão, os apelos de vários pais de alunos ["na sua maioria, políticos militantes, e, alguns deles, franquistas", ibidem] para demover os estudantes e a solicitação feita ao próprio Rei, nesse sentido, ele mesmo interessado na resolução do conflito, levou a contemplar diversos mecanismos para que os estudantes desavindos pudessem fazer as suas provas, sem ao mesmo tempo "vexar os professores". Não foi, parece, pacifica entre os lentes, e em especial os da Faculdade de Direito, o processo que permitia "a realização dos actos", o que não obstou a que um Decreto (23 de Maio de 1907) do ministro do Reino determinasse a "reabertura da Universidade para efeitos de exames", mediante algumas condições.

Pretendia-se, dado a ordem a cumprir rigorosamente, que os estudantes regressassem individualmente e "somente nos dias indicados para as provas", para que afastada a presumida "reunião" dos alunos dos "cursos jurídicos", de onde pertenciam os mais intransigentes, se estabelecesse a quebra de "solidariedade" entre os estudantes de Coimbra e entre estes e os do resto do país. Diversos normativos foram publicados para o efeito, quer no que respeita a Coimbra, quer aos cursos de Lisboa e Porto.

Desta forma, em Coimbra, dos "1049" alunos matriculados, "encerraram a matricula 866 alunos", para efeitos de exame. Por decisão do Conselho de Decanos [1 de Abril de 1907] sete alunos tinham sido expulsos e recusaram-se a requerer matrícula [diz-nos Alberto Xavier] 160 alunos [e não 155 como foi na altura registado]. Tais estudantes "que procederam como homens de perfeita responsabilidade, dotados de livre autonomia de vontade, os quais, desinteressada e briosamente, se recusaram a requerer matrícula para efeitos de exames, enquanto os sete camaradas, injustamente expulsos, não fossem restituídos à plenitude dos direitos e regalias universitárias" [idem, ibidem], a opinião publica denomino-os de intransigentes.

Aos intransigentes, a estes alunos, foi dada a ordem de "abandonar Coimbra". Muitos regressaram às suas casas, mas um curioso grupo deles foram "passar o Verão à praia da Figueira da Foz, onde organizaram uma ‘pousada’ denominada dos Intransigentes, na Rua do Melhoramento, 63. Logo de início os comensais eram

Alfredo Pimenta, Alfredo França, M. Monteiro, Pestana Júnior, Justino Campos, Teixeira Jardim, Sant'Ana Leite, e Parreira da Rocha. Outros apareceram a aumentar o número" [ibidem]

Diz-nos, ainda, Alberto Xavier, citando o jornal O Século de 14 de Junho, desse ano:

"O 'Cenáculo dos Intransigentes', instalado na Figueira da Foz, continua sendo o ponto de reunião de todos os estudantes que não encerram matrícula na Universidade. Aquela agremiação académica tem já um hino próprio, denominado charge aos furadores da greve, e que se vai tornando popular, por os estudantes o cantarem, em grupos, pelas ruas, nas proximidades do cenáculo. O autor do hino foi o maestro Dias Costa

J.M.M.

in Almanaque Republicano

sobre a GREVE ACADÉMICA DE 1907 EM COIMBRA - consultar tudo AQUI.

MANUEL FERNANDES TOMÁS



ESTÁTUA MANOEL FERNANDES THOMAZ À PRAÇA NOVA - Edição Adelino Alves Pereira [clicar na foto]

Figueira da Foz (Praça Velha)

J.M.M.

domingo, 25 de outubro de 2009

CLUB GYMNASTICO VELOCIPEDICO FIGUEIRENSE


"Em 1895, a Figueira da Foz era uma cidadezinha de 5000 habitantes. O Bairro Novo, o Viso, a Lapa, o Pinhal, eram verdadeiramente arrabaldes. Mas a antiga vila era um porto de mar e era já testa de uma linha de caminho de ferro internacional. Bem junta ao rio, acotevelava os cais e vivia do comércio, ou da labuta do mar. A sua gente moldara um carácter forte, independente, aberto às influências salutares do estrangeiro. A Figueira conhecia a sua época áurea. Os grandes melhoramentos datam de então. Uma burguesia activa, empreendedora, levou a todos os campos um dinamismo de ideias rasgadas. Aqueles figueirenses eram gente do seu tempo.

Naturalmente, interessaram-se pela renascença desportiva, provocada na Grã-Bretanha, em 1808, pela criação do desporto universitário como meio educativo da mocidade inglesa. Com este país mantinha a Figueira relações comerciais, e desde velhos tempos nomes ingleses estavam ligados à vida do burgo da foz do Mondego.

Nesse ano de 1895, quando se fundou o Club Gymnastico Velocipédico Figueirense – a designação inicial do Ginásio Clube Figueirense, já havia uma tradição desportiva na pequena cidade. A Associação Naval Figueirense organizara regatas muito antes de 1876, pois na Correspondência da Figueira, de 20 de Junho desse ano, se diz que “houve em tempos esta agradável diversão” promovida por aquele clube. Num programa de regatas disputadas em 1883, lá vemos nomes ingleses – Laidley, James Kauk, John Cook Carrington.

Em 1889, instalou-se nos baixos da Assembleia Figueirense o Club Gymnastico, o primeiro do nome; um ano depois, era esta colectividade dirigida, entre outros, por José Zuzarte dos Santos e José Augusto Evangelista, mais tarde elementos preponderantes do Club Gymnastico Velocipédico. Não se deverão procurar as origens do Ginásio na agremiação instalada no edifício da Assembleia?

Em 1893, nascera a Associação Naval 1º de Maio.

Pouco depois, nas festas do S. João, realizou-se um festival ciclista, para que se inscreveram Joaquim Alves Fernandes Águas e José de Araújo Coutinho. Tal foi o entusiasmo e o brilhantismo da corrida, que provocaram a ideia da criação dum novo clube, do Club Gymnastico Velocipédico Figueirense. Um grupo de desportistas reunia-se no Café Atlântico, e não deixava arrefecer o entusiasmo pela ideia. O ciclismo era então o desporto em voga (…)

Não tardou organizar-se uma comissão instaladora do Clube, constituída por Pedro Ferreira, um dos organizadores daquela prova, José Zuzarte dos Santos, José Carlos da Costa Pinto, José Camolino de Sousa e Manuel Fernandes Tomás. Embora o clube estivesse em organização, logo em Junho de 1894, a pedido do provedor, efectuou um festival a favor da Misericórdia, festival que se repetiu durante a época balnear (...)

(...) em 1 de Janeiro de 1895, é a inauguração oficial do Club Gymnastico Velocipedico Figueirense. Nessa data foi participada aos sócios a instalação do Clube no nº35 da Rua Tenente Valadim, a actual Rua dos Combatentes. Eram também convidados a comparecer no dia 10, pelas 7 horas da tarde, para eleição dos corpos gerentes, que deu o seguinte resultado:

Assembleia Geral – Presidente, Henrique Raimundo de Barros; 1º secretário, Manuel Gaspar de Lemos; 2º, José dos Santos Lima.

Direcção – Presidente, Pedro Augusto Ferreira; vice-presidente, Jorge Laidley; secretário, José Camolino de Sousa; tesoureiro, José Carlos da Silva Pinto; vogais, José Augusto Evangelista, Joaquim Alves Fernandes Águas e Manuel Fernandes Tomás; guia velocipédico, José Bento Pessoa; sub-guia velocipédico, Albano Custódio (...)"

in J. Sousa Cardoso, Ginásio Clube Figueirense. Subsídios para a sua História – 1944 (aliás in Ginásio Clube Figueirense – “História. Fundação”) - sublinhados, nossos [ler todo o texto AQUI].

J.M.M.

sábado, 24 de outubro de 2009

BERNARDINO MACHADO



"[Bernardino Machado] Figura notável de professor da Universidade, político regenerador passado à República, o Dr. Bernardino Machado demitiu-se de lente da Faculdade de Filosofia em protesto contra a repressão instalada na Unoversidade [Coimbra] em 1907"

in VEM AÍ A REPÚBLICA! 1906-1910, de Joaquim Romero Magalhães, Almedina, Outubro 2009.

J.M.M.

COLÉGIO LICEU FIGUEIRENSE



COLÉGIO LICEU FIGUEIRENSE - GRUPO DE EX-ALUNOS

Grupo de antigos alunos à porta do Colégio Liceu em 1929 ou 1930 [clicar na foto].

Identificam-se os seguintes ex-alunos, sentados da esquerda para a direita e a começar na primeira fila e no 3° vulto, António Varela Pinto, 4°, José Pignateli, 5° (?), e depois Álvaro Dias, Dr. Mendes Pinheiro, de bigode e barba branca, ao centro, José Brandão Pereira de Melo, Rolão Preto, Antônio Souto, José Calado, Carlos Lino, e José Guarinho Ataíde.

Na segunda fila e pela mesma ordem, de pé, António Sotero e (João ou António) Zagalo; sentados, Raul Agostinho (?), o seguinte não identificado, depois Manuel Soares, Ricardo Gião, Aleu Saldanha, António Xavier Archer, o seguinte não identificado, depois Alberto Jacobety, David Rosado e os restantes na fila não identificados.

Na 3ª fila de pé e pela ordem seguida, começando pelo 4° vulto, Emesto Tomé, António Gambôa Peixoto, Miguel Soares, Carlos Martins Pereira, Aquiles Moreira, José Dias, Augusto Alegre e Alfredo Franqueira.

in artigo publicado na revista LITORAIS, nº 9, Novembro de 2008: "A escola nova que Joaquim de Carvalho frequentou: o Collegio Lyceu Figueirense (1902-11)", por Paulo Archer, p.30

via In Memoriam Joaquim de Carvalho.

J.M.M.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O SR. BERNARDINO MACHADO ...



"O escritor e jornalista monárquico, Eugénio Severim Azevedo, que assinava os seus trabalhos com o pseudónimo "Crispim", foi redactor da 'Nação' e director do jornal de caricaturas 'O Talassa'.

Escreveu o opúsculo 'O Sr. Bernardino Machado nunca existiu - Bernardino na História - Bernardino na Política - Bernardino na Cordealidade - Formação impessoal do Bernardinismo'.

Resposta ao opúsculo de Crispim, da autoria do poeta e autor dramático republicano, António Correia Pinto de Almeida, que assinava com o pseudónimo 'Marco António' [utilizou, também, o pseud. António Amargo]. Era natural da Figueira da Foz e foi director da 'Gazeta da Figueira' [do nº2348, de 24/10/1914 ao nº2356, de 21/11/1914]. Publicou as peças: 'O Degredado', 'Polícia Amador' e 'Os Conspiradores'." [assinou também: Republicaníadas (1913), Alcofinhas, Cantares (1922)]

via Blog Bernardino Machado [sublinhados, nossos]

- Crispim [pseud. de Eugénio Severim Azevedo] – O Sr. Bernardino Machado nunca existiu, Tip. da Modesta, Lisboa, 1914

- Marco António [pseud. de António Correia Pinto de Almeida] - O Sr. Bernardino Machado existiu e existe (refutação scientifica das erróneas doutrinas expendidas pelo ímpio Crispim no seu folheto «O Sr. Bernardino Machado nunca existiu».», Imprensa Lusitana, Figueira da Foz, 1914

J.M.M.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

PRIMEIRO GOVERNO DA REPÚBLICA



"O 1º Governo e a Bandeira da Republica Portugueza, proclamada em 5 de Outubro de 1910" [clicar na foto]

via blog Bernardino Machado (aliás via Museu Bernardino Machado)

domingo, 11 de outubro de 2009

MARIA JUDITE PINTO MENDES DE ABREU


"Joaquim Barros de Sousa escreveu vários textos biográficos sobre figuras da Oposição ligadas ou por nascimento ou pela sua actividade à Figueira da Foz. Nos documentos do seu arquivo encontram-se alguns desses textos dispersos em livros, artigos de jornais, catálogos, programas comemorativos, eventos de homenagem, e em manuscritos não publicados" [sublinhados nossos - ler AQUI - clicar na foto]

in ARQUIVO JOAQUIM BARROS DE SOUSA (aliás in Biblioteca e Arquivo JPP - via Ephemera - ler mais AQUI)

J.M.M.

III CONFERÊNCIA MAÇÓNICA PORTUGUESA NA FIGUEIRA DA FOZ


"A III Conferência Maçónica Portuguesa, realizou-se na Figueira da Foz, entre 14 e 16 de Setembro de 1906.

Como se pode observar, pelos temas abordados e pelos palestrantes que intervieram, existia uma crescente republicanização da Maçonaria Portuguesa. Os temas tinham cada vez mais uma feição politizada, embora sempre de acordo com os ideiais da Maçonaria na época. Note-se a tese sobre o pacifismo - tema muito caro a Sebastião de Magalhães Lima; ou ainda, a tese sobre a necessidade de efectivação do Registo Civil em Portugal, temas polémicos, mas que a Maçonaria procurava difundir entre os seus sócios.

Apresentaram-se oito teses principais:

1 – Valor científico das doutrinas pacifistas, por Magalhães Lima;
2- A Mendicidade, por Joaquim da Silva Cortesão [Galeno]
3- Acção da Maçonaria, por Feio Terenas;
4 – Definição de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, por Agostinho Fortes;
5 – Efectivação do Registo Civil em Portugal, por Manuel Gomes Cruz, [Lassale];
6 – Admissão da Mulher às profissões liberais, por David José da Silva;
7 – O Clericalismo, por Heliodoro Salgado
8 – A Maçonaria e as condições histórico-políticas dos povos, por Agostinho Fortes.

Esta Conferência Maçónica contou também com a presença de Sebastião de Magalhães Lima e Bernardino Machado."

via Almanaque Republicano.

J.M.M.

CASINO MONDEGO E RUA DA BOA RECORDAÇÃO


CASINO MONDEGO E RUA DA BOA RECORDAÇÃO - "O Casino Mondego [depois Hotel Portugal] é o mais antigo da Figueira e a rua [Rua da Recordação, ou então conhecida por Rua do Circo, depois (1910) designada por Rua Cândido dos Reis] onde se encontra é a de maior movimento na época balnear"

edição da Casa Havaneza [clicar na foto].

J.M.M.

OPOSIÇÃO DEMOCRÁTICA - ELEIÇÕES 1969


"… Faz hoje 40 anos. Em 11 de Outubro de 1969, um sábado, visitavam a Figueira da Foz os democratas que compunham a lista da Oposição Democrática que se apresentava ao 'acto eleitoral' previsto para 26 de Outubro seguinte.

Uma grande caravana de automóveis de figueirenses foi esperar os candidatos às pontes de Maiorca, cuidadosamente vigiadas e guardadas por vários soldados da GNR e por alguns vultos da Policia à paisana. Uns dias antes, haviam sido distribuídos pela Figueira cerca de 3 mil folhetos com o comunicado acima reproduzido. Neles ficaram referidos apenas 1000 exemplares, por causa das coisas ...

Na sua edição da 5ª feira seguinte, na 3ª página, a uma coluna com 15 cm de altura, o semanário 'Voz da Figueira' (Nota) dava uma pequenina notícia da sessão de propaganda (assim se designava na época) realizada no Teatro Parque Cine:

Perante a presença de cerca de 1000 pessoas, que enchiam por completo a plateia, frizas, camarotes e balcão do vasto teatro do Parque-Cine, teve lugar no último sábado à noite a sessão de propaganda para a candidatura dos democrtasa à Assembleia Nacional, em representação pelo círculo de Coimbra.

Numa sessão que decorreu na melhor ordem e compostura foram oradores a Srª Drª Cristina Torres Duque, que presidiu à mesa de honra; prof. Engº Henrique de Barros (...) O encerramento efectuou-se rigorosamente à hora marcada, com a assistência entoando de pé a Portuguesa e soltando vivas à Pátria e à República.
“ [ler tudo AQUI - sublinhados, nossos (clicar na imagem)]

via Quinto Poder.

J.M.M.

sábado, 10 de outubro de 2009

FIGUEIRA DA FOZ ... POR VITORINO NEMÉSIO


"Vou no meu quarto ano de Figueira. Isto é um curso: no primeiro ano nem se conhecem condiscípulos, que são os outros banhistas. No segundo já há relações - não muitas, porque as disciplinas são absorventes e variadas: escolher banheiro, mercearia, farmácia para a pomada contra as queimaduras do sol e alguma tintura de iodo, conhecer as manhas da porta da casa alugada (uma ciência), etc. Até que, no terceiro, saudados logo à chegada pelo banheiro, pelo merceeiro, pelo rapaz do pão que nos dá o inútil bilhete de visita segurando o guiador da bicicleta, estamos quási formados (...)

Não me formei propriamente em Figueira da Foz (nome de Faculdade) mas em Palheiros, Universidade de Buarcos.(...) estudar o regime das nortadas, a psicologia das mulheres que vendem peixe e que nos saturam de sardinha, as laparotinhas que descem ao povoado com o cesto da fruta ou do feijão.

(...) O Dr. Oceano é na verdade a pessoa mais importante da Figueira. Emquanto gizo êste artigo êle muge atrás de mim. O crescente da lua estampa-se no céu. Abaixo uma esteira de luz, para cá, na areia, ondas que se desdobram como grupos de quatro atiradores deitados, que na carreira de tiro, à voz de 'fogo!' disparam ao alvo certo.

(...) No resto a Figueira é trivial e adorável como um híbrido de praia mundana e cidade de pequenos armadores. O turismo apregoa a parte confortável, recreativa e fresca do simpático produto, e tem para isso as razões especiais de todo o turismo moderno: boa esplanada, praia de aro imponente, casinos e cafés populosos, um delicioso ténnis instalado com muito gosto num forte abandonado das bombardas. Eu apego-me mais à Figueira de todo o ano, morta no Bairro Novo (...).

Não sei se êste interesse pela Figueira de inverno me veio de um romance de João Gaspar Simões, Amores Infelizes, em que a alma burguesa da cidade diz uma parte importante daquilo que tem a dizer."

por Vitorino Nemésio, in Diário de Lisboa - "A Banhos", 7 de Setembro de 1935.

via Álbum Figueirense.

J.M.M.

ANTIGO CAIS DA DOCA - 1890



FIGUEIRA DA FOZ - Antigo Cais da Doca, em 1890. [clicar na foto]

via blog Presente.

J.M.M.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

EXPOSIÇÃO - QUEM FEZ A REPÚBLICA


"Através de quinze quadros, pretende-se dar um panorama sucinto dos principais acontecimentos que levaram à Implantação da República em 5 de Outubro de 1910, apresentando igualmente notas biográficas dos intervenientes - quem fez a República.

Esta exposição, que reúne documentos e iconografia da época, será igualmente acompanhada da mostra parcial da Colecção António Pedro Vicente da Fundação Mário Soares. A partir do início de 2010, a exposição circulará por diferentes localidades e instituições
"

Local: Sala de Exposições da Fundação Mário Soares.

J.M.M.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

BUARCOS



Buarcos em 1914 (Postal) [clicar na foto]

AUGUSTO GOLTZ DE CARVALHO


"Augusto Goltz de Carvalho nasceu em Buarcos, no dia 28 de Março de 1858 [cf. José de Sousa Cardoso, Biografias Figueirenses, Figueira da Foz, 1947, p. 29]. Foi professor primário durante 30 anos e personagem importante nos movimentos associativos de Buarcos [cf. A Maçonaria na Figueira da Foz (1900-1925), Ed. Biblioteca e Arquivos, 2001, p. 8]. Cria a (sua) Escola Particular Nocturna, colabora na fundação da Cooperativa Buarcoense (1904), na União Marítima de Buarcos (1912), nos Bombeiros Voluntários de Buarcos, tendo sido "activo da Misericórdia de Buarcos" e, ainda, presidente da Junta da Paróquia de Buarcos [idem, ibidem].

Homem de "grande cultura", escreveu peças de teatro que foram levadas à cena no mítico Grupo Caras Direitas, tendo aí realizado, também, notáveis conferências. Grande entusiasta pela investigação e exploração arqueológica na região [ibidem], colaborou intensamente com o Dr. Santos Rocha [n. F. Foz, 1853-1910] na organização do Museu Municipal e [ler, aqui] na Sociedade Arqueológica da Figueira [1898, que a partir de 1903 se denomina, Sociedade Arqueológica Santos Rocha], tendo feito parte da sua direcção [nota: consultar o Boletim da Sociedade Archeologica Santos Rocha (nº1, 1904)]. Também se distinguiu no "campo da biologia e zoologia", tendo sido um conhecido "recolector e catalogador de espécies vegetais e animais".

Iniciado [desconhece-se o seu nome simbólico] na maçonaria, presumidamente, num Triângulo de Buarcos. De facto, em Buarcos, a partir de 1899, existiu o Triângulo nº11 do REAA, que abateu colunas em 1908; e a partir dessa data estiveram activos 2 Triângulos, tendo um deles [Triângulo, nº118 de Buarcos] originado a Loja Luz e Harmonia, fundada em 1911, da qual Goltz de Carvalho foi seu Venerável [cf. A Maçonaria na Figueira da Foz, ibidem, p.9].

Colaborou em diversos jornais e outras publicações, como o Correio da Figueira, Correspondência da Figueira, Gazeta da Figueira, Anais de Ciências Naturais, Portugália (porto) e no Boletim da Sociedade Arqueológica da Figueira"

Morre a 29 de Junho de 1913.

via Almanaque Republicano.

J.M.M.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

GRUPO CARAS DIREITAS


“No dia 1 de Outubro de 1907, na casa de D. Leonor de Paula, a convite de António Augusto da Gama e Carlos da Cruz Oliveira reuniu-se um grupo de 15 amigos todos naturais e moradores em Buarcos, que fundaram então o ‘Grupo dos 15 Caras Direitas’, com a obrigação do pagamento de uma quota mensal de 100 réis, tendo a primeira direcção ficado assim constituída:

Presidente: Joaquim Marçal Carrega; Secretário: Carlos Cruz Oliveira; Tesoureiro: António Augusto da Gama. Os restantes 12 fundadores foram: Joaquim Rodrigues da Silva, António Caetano Ferreira, José Feteira, António Marques Murta, José Amorim Guerra, Augusto Alves Abreu, José Baptista Soares, António Gomes Pinto, Augusto Maria Henriques, José Cardoso de Oliveira, Alberto Cardoso de Oliveira e José Romão.

O Grupo tinha por finalidades praticar a "Instrução, Beneficência e Recreio", tendo sido aprazado comemorar, como data da sua fundação, o dia 1º de Dezembro por ser o aniversário da Independência de Portugal. A sua primeira sede foi numa pequena casa na rua Governador Soares Nogueira, cedida graciosamente pelo seu proprietário e director do Grupo, António Gama, seguindo-se uma outra na mesma rua, e depois no Teatro Duque, pelo aluguer do qual, pagavam 60$000 réis anuais.

Em 31-III-1913 é feita a fusão com o Sport Grupo Buarcosense, que tinha uma filarmónica, e como a sede entretanto se tornasse acanhada, três anos depois mudam-se para o Teatro Trindade, tendo passado a designar-se de Grupo Caras Direitas. Após muitos sacrifícios constroem a sua sede própria que é inaugurada em 6-V-1928, a qual dispõe de uma excelente sala de espectáculos com uma capacidade de 510 lugares onde se têm realizado sessões cinematográficas e teatrais, não só pela sua secção cénica como por consagradas companhias nacionais.

O seu palco que reúne as melhores condições técnicas, já foi pisado por artistas como Adelina e AuraAbranches, Alves da Cunha, lida e Dinah Stichini, Amélia Rey Colaço, Robles Monteiro, Berta de Bívar, Álvaro Benamor, Samuel Dinis, Camilo de Oliveira, José Viana, Mário Santos, Raul Solnado e outros, dando-se até a curiosidade de o popular actor Camilo de Oliveira ter nascido num dos seus camarins.

Ao longo da sua existência a secção cénica do Caras já representou centenas de peças de teatro desde dramas, comédias, farsas, operetas e revistas. Este género teatral tem predominado no Grupo, destacando-se entre as de maior sucesso: "Caldeirada à Pescador", "Nortada Rija", "Onda Marítima", "É Tudo Terra", "Em Águas de Bacalhau", "Um Mar t'Alimpe", "Sardinha na Brasa", "Gente do Mar" e "Cantarinha Vai à Fonte", que proporcionaram largas dezenas de representações, não só em Buarcos como em diversas terras dá país.

De notar que todas as revistas atrás referidas foram musicadas por José Traqueia Bracourt, sendo da autoria de Vasco da Gama e Jorge Bracourt. Se os êxitos alcançados pela secção cénica se devem aos méritos dos seus amadores, uma parte vai para os ensaiadores, que foram os seguintes: António Gomes Pinto, Manuel Monteiro, José Gaspar, Constantino Nunes da Silva, António Neves, José Goltz de Carvalho, Mário Santos, António Sousa, Manuel Pereira da Silva, João Alves Fernandes, Severo Biscaia, Eduardo Matos, Jorge Bracourt, José Fernandes dos Santos, Mário Bertô e Dr. António Gouveia de Carvalho.

Em Maio de 1931 e durante alguns anos funcionaram no Grupo aulas de instrução primária, desenho e ginástica. Nos dias 12 e 13 de Junho de 1938 realizou-se um arraial de Santo António, estreando-se um grupo de jazz privativo do Grupo e o "Rancho das Cantarinhas" (...). Da parte musical do rancho foi incumbido Alberto Machado e a coreográfica ficou a cargo de Joaquim Romão.

Em 1-XII-1982 foi inaugurado o Pavilhão Gimnodesportivo a cuja cerimónia presidiu o Ministro das Obras Públicas de então, Eng. Viana Baptista.(...) Em Dezembro de 2003 um incêndio destruiu o palco (entretanto recuperado)“.

in Monografia de Buarcos de Fausto Caniceiro, 2004 - via Album Figueirense.

J.M.M.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

GRUPO DE REPUBLICANOS FIGUEIRENSES



Foto de um grupo de republicanos figueirenses (não identificados), com o jornal republicano "O Mundo", de França Borges [clicar na foto]

J.M.M.